É a vó!!!!

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Li, esses dias na internet, um texto que dizia “Vovó de 79 anos desaparece de asilo para fazer a  primeira tatuagem”. Achei, interessante porque dizem que a velhice é a segunda infância, mas no caso dessa senhorinha “vida loca”, talvez seja a segunda adolescência. Na verdade havia pensado nisso há algumas semanas, quando compareci a rotineira consulta à dermatologista. Não nego procuro me prevenir contra câncer de pele e das ruguinhas podem aparecer com a idade. Utilizo-me de um ácido aqui, um creminho para os olhos ali, enfim, ponho em campo  minhas parcas armas na guerra contra a passagem do tempo. Incrível como tentamos controlar o incontrolável; afinal, existem três coisas que não podemos controlar: a morte, o outro e o decurso implacável do tempo.

O arsenal disponível para essa guerra é ilimitado: vai desde dietas e vitaminas a cirurgias arriscadas e invasivas para esticar a cara. Nesse campo de batalha o bom senso é fundamental e aquela máxima de “menos é mais” se aplica muito bem. O mundo das celebridades está cheio de exemplos de como os exageros em procedimentos estéticos podem ser desastrosos. Tem gente que morreu em cirurgias plásticas e também os deformados pelo botox como a Meg Ryan, que era lindíssima e agora parece o Coringa. Assim, perde-se a beleza do rosto, do corpo e a serenidade de uma velhice altiva de quem já consolidou a paz e a estima dentro de si.

É um fato que a noção de envelhecimento mudou muito nas ultimas décadas. Quando criança a imagem que tinha dos idosos era bem diferente do que vejo hoje: eram pessoas de cabelos brancos, andando bem devagar e usando meias com sandálias. Os vovozinhos sentados na praça lendo jornal ou jogando baralho e falando com saudades da Era Vargas, como meu Vô Durval. E as vovozinhas que ficavam na varanda fazendo tricô ou cozinhando coisas gostosas. Nunca, nem nos meus sonhos mais loucos, imaginei uma daquelas velhinhas doces saindo por aí para fazer uma tatoo.

As coisas mudaram. O pessoal da terceira idade está mandando ver nos exercícios no calçadão e nos esportes radicais, lendo jornais no tablet, jogando xadrez virtual, alguns presenteando o mercado de trabalho com sua sabedoria e experiência. Eles recusaram drasticamente o paradigma anterior e estão se aventurando por aí pulando de paraquedas, voando de parapente, deixando as sandálias de lado e usando botas de trekking, literalmente colocando o pé na estrada ou no mato (por favor, sem duplo sentido!).

A galera da “melhor idade” redescobriu a vida, levantou-se das cadeiras de balanço e começaram a mexer o corpo em nome da qualidade de vida (olha o Tio João Henrique, que corta o Alegre todo de bike para garantir que será um oitentão com boa saúde e gatíssimo). Muitos se rebelaram contra a ideia de que são pessoas paradas, cansadas e saudosista e estão botando para quebrar em bailes, cruzeiros e excursões especializadas neste publico. E, atenção herdeiros, foi-se o tempo que eles guardavam toda a grana da aposentadoria para deixar para os filhos. Com toda razão eles estão torrando a aposentadoria com “personal trainer” e viagens, aproveitando o tempo livre e a paz que conquistaram e, numa boa vão curtindo a vida com força.

Todo o meu respeito e admiração para os velhinhos que estão malhando, dançando, curtindo e colocando uma alegria extra na beleza poética de envelhecer com dignidade e saúde. Mas também há beleza naqueles que aceitam a passagem dos anos com a resignação e o orgulho de quem sabe que não tem mais nada a provar a ninguém (alias, nenhum de nós devia ter) e que a vida lhes deixou mais conscientes e generosos com as falhas alheias e as próprias. E tem a melhor parte dessa fase da vida, ao menos na minha opinião, as avós.

Dizem por aí que Vó é mãe com açúcar, a frase seria mais verdadeira se dissessem que vó é mãe com leite condensado. Eu vi e vejo as minhas avós vivendo a velhice com muita graça e doçura.

A minha Vó Mariinha era uma senhorinha muito linda, ela teve 15 filhos (isso mesmo 15, naquela época não tinha TV nem internet), perdeu 3 ainda novos, e ainda acolheu e criou um irmão, alguns sobrinhos e netos. Apesar de não ter estudado (o pai dela acreditava que se estudasse escreveria cartas para os namorados), sempre incentivou os filhos a estudarem e buscarem novos horizontes. E diferente da maioria das mulheres da sua geração, não encarava o casamento das filhas como uma carreira, pelo contrario, queria todas formadas e boas profissionais. Eu me lembro dela já com dificuldades para se locomover, estava sempre sentada na cadeira de balanço da varanda. Tinha horror de bebida, mas sempre guardava uma pinguinha para o papai (hoje ele vê como a vó tinha razão!). Ela achava que todo mundo era bom e dizia que não sentia gosto de nada, mas sempre reclamava que o adoçante era amargo ou que a comida estava sem sal. E, mesmo com as filhas já casadas, só as chamava de meninas. Ela aceitou os sinais do tempo com orgulho e dignidade, como um soldado que ganha uma medalha de honra e sabe que a merece, talvez porque soubesse em seu intimo que seu dever fora cumprido.

Há ainda a minha vó Mercedes, uma menina de 97 aninhos, muito teimosa. Ela criou apenas 09 filhos e uma neta (e que Deus a TV e o controle de natalidade). Foi mãe de leite de alguns e ajudava a abastecer o banco de leite do hospital de Alegre. Muito religiosa, enquanto podia ia a missa todos os dias, agora reza alguns rosários todos os dias por todos os filhos, netos, bisnetos, parentes e amigos. Quando eu era criança ela coava o feijão para que eu comesse só o caldinho com o angu mais gostoso do mundo. Lembro muito do fogão de lenha e do cheirinho bom da cozinha. Ela estava todo o tempo ali e sempre fazendo comida boa; podia ser só uma sopinha de macarrão ou o bife famoso da vó. Mesmo depois de adulta, antes de viajar para o Alegre, eu passava dias sonhando com a comidinha da Vó Merça, o bifinho passado na hora e o bolinho de chuchu. Hoje ela não cozinha mais. Muito travessa ela caiu e machucou as costelas, mas já está firme e vigilante no comando de seu reino. Minhas  tias tentam com muito amor reproduzir as receitas dela, principalmente o bolinho que adoro, mas ninguém tem o tempero da D. Mercedes.

É fato que todos temos uma certa resistência em aceitar os efeitos do tempo sobre nossos corpos, principalmente em nossos rostos. É bom tentar prevenir e fazer a juventude se estender um pouco mais. Mas deve-se entender que é uma batalha fadada ao fracasso, por mais que corramos o tempo fatalmente nos alcançará. Ademais, a única opção restante para quem não quer envelhecer de maneira nenhuma é morrer jovem e ser um belo cadáver. Não, obrigada! Prefiro a vida e não me importo nem um pouco com a aparência do meu rosto no meu funeral.

Este mês em que se comemora o dia da avó vamos olhar com mais carinho para as pessoas que chegaram à segunda infância e dedicar-lhes mais respeito por estarem vivendo essa fatia bonita da vida. De minha parte espero que eu chegue lá. Creio que serei uma velhinha serelepe, dessas bem “vida loca”, quem sabe entre os livros, aventuras, viagens e escritos (sim, espero escrever até morrer) eu não fuja para fazer a minha primeira tatuagem. Afinal, o meu pai velhinho e careta, faz cara feia até hoje toda vez que eu toco nesse assunto.

P.S.: Publicada em agosto de 2015.

Vai um remedinho aí?

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Segundo o dicionário hipocondríaco é quem está sempre preocupado com a própria saúde, ouso discordar, a observação contínua me fez perceber que o hipocondríaco é preocupado com a doença ou doenças que julga ter.

Definida como transtorno psicológico, a famosa “mania de doença” é por demais comum nos dias atuais, e com a facilidade de adquirir medicamentos quase todo mundo anda com um arsenal farmacêutico na bolsa a ao sinal do mais leve incomodo se automedicam (ou medicam o colega ao lado: _ Vai um remedinho aí?) podemos vê-la em varias níveis de gravidade e em inúmeras pessoas de nosso convívio.

Conheço alguns casos bem graves, como uma amiga querida, que quando vai ao shopping vai primeiro a farmácia, deixando as demais lojas de lado. Ela lê pesquisas médicas na internet e cria novos hábitos de vida, supostamente para se manter longe doenças, à pouco tempo leu numa pesquisa que beijar na boca aumenta o risco de contrair meningite e ficou meses sem “pegar” ninguém. Faz teste para DST com uma frequência absurda sem ter vida sexual ativa e quando sabe de um novo exame, pra qualquer coisa, vai lá e faz, mesmo que precise pagar do próprio bolso, e pior, obriga os namorados a se submeterem a uma bateria de exames e depois não confia nos resultados.

Alias, ela está muito bem acompanhada, varias “celebridades” apresentam esta mania como Rei Henrique VIII, Charles Darwin, Mikael Jakson, Cameron Dias, Toquinho (dizem que por onde anda leva um saquinho de remédios consigo), já li que a atriz americana não toca em maçanetas de locais desconhecidos e que lava a mão incontáveis vezes ao dia para se livrar dos germes, e o que falar do Rei do Pop que chegou a usar mascaras (e obrigou os filhos a fazerem o mesmo) com medo de qualquer tipo de contaminação, mas tudo bem se você faz isso e é milionário, famoso ou estrela de cinema é exótico, para os demais mortais é esquisitice mesmo.

Um outro fato curioso sobre isso é que quem tem essa “mania” se acha médico, faz diagnóstico, exame físico (hoje em dia qualquer um tem “aparelho de aferir a pressão” e aquele outro que testa o nível da glicose em casa… deve ter quem ache divertido ficar se examinando) e receita remédio para si a para os outros, neste ultimo caso com comentários vívidos sobre a sua eficácia e efeitos colaterais, afinal todo bom hipocondríaco já provou algumas dúzias de medicamentos, tem a lista dos 10 melhores antibióticos.

É aquele tipo de pessoa que quando recebe do médico a feliz noticia de que não está doente se revolta, chama o médico de incompetente e louco, procura uma segunda, terceira ou décima sexta opinião, mas jamais se convence que está saudável, meu Tio Dr. João Henrique já deve ter visto muito isso. Haveria menos desperdício de energia se o primeiro médico pudesse receitar logo um placebo qualquer e deixar o “paciente feliz” com sua doença imaginária e pílulas de farinha.

Há ainda aqueles que transferem a obsessão para os filhos, a criança perde parte da infância porque a mãe “neurótica” diz que a pobrezinha não pode tomar vento, nem sol, nem sereno, ou gelado, não pode se sujar por causa dos germes, nem comer nada que não esteja lavado e esterilizado por causa dos vermes (e assim se cresce sem comer sequer uma jabuticaba direto do pé) nem pode se machucar, porque se chorar demais pode “engolir o folego”, seja lá o que isso for, ou seja não pode brincar, não pode viver a infância como se deve com os joelhos esfolados, a roupa suja de terra e só perdendo o folego de tanto correr dos coleguinhas, e daí se tiver um bicho de pé, ou lombriga, ou um resfriado as vezes, tem remédio para isso, mas não tem para tempo perdido.

Se forçamos a imaginação podemos ver em que tipo de adulto essa criança se tornará, depois de terem lhe infligido uma farta lista de fraquezas e deficiências, fazendo-a crer numa fragilidade extrema e inexistente, será um adulto fresco, com medo e nojo de tudo, mais uma farmácia ambulante, degustador de comprimidos e leitor assíduo de bulas, cheio de dores fantasmas pelo corpo que pulam de um membro a outro, alergias imaginárias e resfriados eternos, aquele tipo de pessoa que tem uma dorzinha na lombar a acha que está com falência renal.

Francamente, sempre que vejo alguém assim sinto muita pena, talvez porque seja triste pensar que tem gente que toma posse de doença quando tem tanta coisa melhor para se apoderar, ou porque seja chato demais quando o único assunto de alguém são doenças, sintomas, exames e remédios, quando tem tanta coisa melhor para se falar. Ou simplesmente, porque creio que todo hipocondríaco é pessimista, vê um lado ruim de tudo, alias só o lado ruim: do tempero da comida (problema nos rins ou no sangue ou…), da terra do jardim (vermes/germes), das pessoas do mundo, da brisa do mar, até do sol, falarão “causa câncer de pele”. Direi e daí? Ele dá luz e vida a tudo que há de lindo no mundo e, desde que inventaram o filtro solar, não causa nem queimadura de segundo grau, não vou deixar de fazer o que me dá prazer, afinal a doença futura é uma possibilidade, mas a vida e o presente são uma certeza.

Me devolve meus 10 reais…. pão duro irrita!

Em uma dessas noites frias de julho enquanto eu me revirava sob as cobertas, tentando em vão e mais uma vez lutar com a insônia (inimiga antiga), inúmeros pensamentos e preocupações se revezavam em minha mente. Então, finalmente, desisti de tentar dormir, fui a cozinha preparar um bom chá. Fervi á água, coloquei o pequeno saquinho na água escaldante sentindo o cheiro doce o hortelã se espalhar pela cozinha. Pensei, então, um dia devo escrever sobre a insônia, peguei o sachê de adoçante rasguei-o, mas antes de derramá-lo no chá comecei a rir, rir muito e alto. Lá estava eu sozinha, de pijama, no meio da noite, parecendo uma louca, morrendo de rir na minha cozinha.

O que aconteceu foi que quando apanhei o sachê de adoçante me lembrei de um velho conhecido muito pão duro que sempre que eu encontrava em um restaurante ou cafeteria. Ele sorrateiramente surrupiava todos os sachês de adoçante, açúcar, sal, maionese e o que mais houve em cima da mesa, era uma situação embaraçosa, mas hilária também.

Todo nós conhecemos alguém com esse “defeito” ou característica, um unha de fome, aquela pessoa que parece que tem um escorpião no bolso. Atentem, existe uma diferença enorme entre o pão duro e o duro, o primeiro tem dinheiro e não quer gastar nem consigo mesmo, já o segundo, bem o nome já diz tudo, é aquela pessoa que tem mês demais para pouco salário.

A pessoa sovina incomoda, irrita e às vezes até revolta quem está perto. Eu tive um namorado assim e conheço um punhado de gente do tipo “Senhor Scrooge”. Acredite, é difícil de aturar, aquela desculpa esfarrapada de “esqueci a carteira” pela centésima quinta vez. Um dia deixei, só de raiva, meu ex-namorado com fome, me olhando lanchar com meu afilhado. Nada lhe ofereci. Afinal nesta época eu era estudante e ela já trabalhava. Que sacanagem!

Percebi que todo mundo tem uma ou duas manias de muquirana. Entre elas colocar água no shampoo ou detergente para durar mais; fazer aquele bolinho com o arroz de ontem; estacionar fora do shopping para não pagar o estacionamento; esperar uma boa liquidação para comprar aquela peça que você está “namorando” na vitrina a um mês; deixar o carro “na banguela” na descida para economizar gasolina; pegar aquele finzinho do sabonete (que tá fininho como um papelão e nem dá espuma mais) derreter e juntar com outros ou usar para lavar a roupa; transformar aquela camiseta velha em pano de chão (isso está mais para Lei de Lavoisier, igual aquele mexidão delicioso com tudo que sobrou do almoço). Mas apresentar uma ou duas manias não te qualifica como pão duro, tem todo um estilo de vida, uma teia de desculpas para não gastar nem um tostãozinho.

Eu me lembro de uma amiga, que sempre ao sairmos, no final da noite, ela sacava de uma calculadora e dividia a conta até os últimos centavos, não importa se haviam duas ou dez pessoas à mesa. Nunca entendi isso e sempre me pareceu grosseiro, quer dizer pagar alguns centavos a mais que o amigo ao lado, vai mesmo te deixar mais pobre? Mesmo quando a noite era ótima cheia de risadas, “causos” e conselhos a magia do momento caia por terra diante da maldita calculadora. Isso me deixava revoltada. O curioso é que a mão de vaca sempre tinha as moedinhas na bolsa para não correr o risco de deixar nem cinco centavos para ninguém.

Convivendo com estas pessoas notei que alguns comportamentos são ilógicos, mas constantes e sempre “justificáveis”, como por exemplo: coar o café duas vezes com o mesmo pó (isso eu já vi!); usar camisa furada e dizer que é porque gosta; jantar antes de sair pra não ter que pedir nada no barzinho e não aumentar a conta; escolher o presente mais ordinário e barato da loja e dizer que é mais singelo; dar um toque no celular alheio só pro outro retornar a ligação (mesmo com promoção da operadora de “custo zero na chamada”); comer e beber até passar mal nas festas só porque é boca livre; sair da mesa na hora que chega a conta rezando para que algum gentil desprevenido pague tudo; não ligar o ar condicionado do carro, no verão abrasador de Vitória para gastar menos gasolina; ou deixar o carro ficar na reserva uma semana e depois colocar R$ 10,00 no tanque; emprestar 10 reais a alguém e já no outro dia sair cobrando como se fossem 10 milhões; “filar” comida todo dia na casa alheia (poxa, ou a criatura faz a própria comida ou vai ao restaurante, né?); nunca andar com a carteira ou o cartão de crédito para que os outros paguem sozinhos e por aí vai.

Eu imagino que lendo isto cada pessoa consegue lembrar de um pão duro incorrigível, aquele mesmo que  toda família tem, é engraçado sim até porque a maioria das “economias” não fazem sentido algum, como uma pessoa que conheço que toma banho frio no inverno, mesmo pagando a taxa mínima de luz todo mês. Será que faria diferença um banho quente? Ou uma tia velhinha que deixa todas as luzes apagadas para não gastar energia, com risco de cair e tropeçar, economia em detrimento da saúde e segurança? Ou mesmo o hábito, já citado, de afanar saches de adoçante, cadê a grande economia? E com o tempo cafeteria passa a oferecer só o adoçante liquido. Outra é a mania de usar roupas velhas ou de comprar a peça mais baratinha mesmo que o caimento seja péssimo ou a qualidade do tecido seja baixíssima, fica feio demais e o prejuízo a imagem é imensamente maior que o do bolso.

E reparem que o verdadeiro mão de vaca não admite se desfazer de nada que tem, mesmo que a troca seja vantajosa, mesmo que o objeto esteja inutilizado. São acumuladores, se apegam até a embalagens vazias, ou tem tanta usura para consumir um produto que por medo de gastar, por fim expira a validade sem aproveitamento. Eles se apegam a objetos como se fossem pessoas. Alguns chegam ao ponto de serem miseráveis com o dinheiro alheio, principalmente dos pais, uma pessoa que conheci desencorajava os pais a viajarem e a gastarem com carros caros, para sobrar mais para a herança, isso é de doer.

E, ainda, tem aquele tipo de somítico, que tenta tirar vantagem de toda e qualquer situação, seja para ganhar uma “jantinha” grátis seja para tentar superfaturar em qualquer transação financeira. Esse é o pão duro mal caráter, talvez o ultimo estagio desse cancro espiritual, em que se sacrifica a honra, o brio, o inestimável por uns trocados a mais, é aquela pessoa que quando recebe o troco a mais em qualquer lugar fica tão feliz que parece que encontrou o santo graal.

Se você observar bem os avarentos nota-se que muitas atitudes parecem involuntárias, é como se a pessoa vivesse no “modo automático” da mesquinharia, algumas coisas simplesmente não farão diferença no saldo do mês, como afanar o adoçante, ou colocar só aquela mixaria de gasolina no carro, mas ele continua. E se alguém critica, fica bravo, vira a cara e se acha cheio de razão com uns trocadinhos a mais e uma amizade a menos. Aparentemente essa obsessão por acumular/guardar dinheiro está mais ligada à sensação de não se desfazer de bens do que a economia em si, talvez dê a pessoa uma sensação segurança ou de poder, por conseguir controlar alguma parte de sua vida.

A avareza é a filha predileta do egoísmo, a consequência visível e feia da incapacidade de se olhar para qualquer lugar que não seja o próprio umbigo e da crença estupida de que cada um deve cuidar somente de si mesmo e o resto do mundo que se dane. É mais um fruto podre da cultura medíocre de tentar levar vantagem em tudo, que tenta a todo custo matar o altruísmo. Não há como inserir momentos, amizades ou demonstrações de afeto no cômputo bancário. Fazer isso é diminuí-los, reduzir sentimentos a valores é ofensivo, por isso ninguém gosta de convidar o pão duro para sair.

E se nada disso bastar, para que os unhas de fome de plantão comecem a refletir: a usura é um dos sete pecados capitais, uma passagem sem bagagem para o “mármore do inferno” e como diz o dito popular: “caixão não tem gaveta”. Então, meu caro mão de vaca, tudo que você guardou, se privando de vários prazeres e irritando várias pessoas, ficará aqui de herança para os parentes que você critica por serem gastadores. E por fim, na minha humilde opinião, se for para pecar, por favor, pequem pelo prazer, pela diversão, pelo gozo, e não pela falta dele, isso te poupará muito… arrependimento.

A bunda

bundas, a revista

Resolvi escrever essa crônica depois que percebi o quanto às pessoas falam, cantam, documentam, olham, admiram, idolatram e até escrevem sobre a bunda. Afinal, de que vocês acham que Vinicius de Moraes estava falando quando disse: “…é ela a menina/ que vem e que passa,/ num doce balanço/ a caminho do mar”. Esse balanço é exatamente o andar voluptuoso e suave que causa a bela oscilação nas partes posteriores.

É uma parte tão importante da anatomia humana (afinal homem também tem bunda) que as pessoas gastam uma quantidade enorme de energia exercitando-a, para tentar aumentá-la e endurece-la, ou simplesmente, inventando novos nomes para ela: glúteos, nádegas, bumbum, popozão, rabo, traseiro, anca, derrière e por aí vai.

Antigamente a bunda era só uma parte macia do corpo que nós usávamos para nos sentar, ou um palavrão; insulta-se as pessoas supostamente covardes, ou moles, comparando-os com essa parte do corpo colocada no aumentativo: “seu bundão!”.

Hoje, nada é tão simples assim. E ser comparado à bunda, dependendo do contexto, pode ser até um elogio. A bunda é muito mais que isso: é capa e nome de revista, é tema de pesquisa cientifica (como acabar com a celulite do bumbum, por exemplo), já deu origem a aula de ginástica só para melhorá-la, pode-se colocar silicone para deixá-la mais avantajada e, pasmem, é até um meio de vida, deveras lucrativo. Tornou-se objeto valioso que merece até seguro especial. Se mais precisar dizer, vale a afirmação: ela é preferência nacional.

Foi-se o tempo que para ter sucesso ou para conquistar um homem a mulher tinha que ser inteligente, prendada ou simplesmente bela. Hoje basta ter um belo traseiro para conseguir um casamento ou uma carreira de sucesso. Aí você me pergunta: _ E o rosto? A Marilyn Monroe, a Audrey Hepburn, a Martha Rocha e outras tantas tinham um rosto lindo, carisma, talento? E eu responderei: _ Não importa … é só para a bunda que se olha, sem rosto, sem carisma, sem talento, sem cérebro… só uma bunda que requebra e pronto você pode se transforar em mulher fruta e ter uma carreira, ter fama e até um maridão bobão para pagar as suas contas.

Essa parte mítica da anatomia feminina logo acabará virando uma religião ou quase isso, homens e mulheres veneram a bunda uns dos outros, e a aritimética dessa “adoração” não é tão simples como: quanto maior melhor. É bem mais complexa. Ela deve ser grande sim, mas não enorme, redondinha e bem durinha, além de outros predicados.

E pode-se até classificar os tipos de bundas, que andam por aí. Sem  pretensões cientificas, vocês querem ver:

óInsignificante – é aquela que não representa muito na anatomia da criatura, e obriga a pessoa ou a tentar melhora-la ou disfarçar o defeito chamando atenção para outras qualidades;

ó Assustada – é a bunda para dentro, parece que levou uma reguada da tia da escola, se assustou, se escondeu, e não saiu mais de lá;

ó Deprimida – está sempre olhando pra baixo, caída e triste, esta pode condenar sua pobre dona ao insucesso;

ó Falsa – é a bunda deprimida que dentro de um super-jeans fica até bonita;

ó Turbinada – é a que nasceu insignificante ou assustada, mas colocou um silicone e hoje saí por aí rebolando como se tivesse nascido bela _ só não pode tomar injeção;

ó Bebel (famosa garota de programa interpretada pela Camila Pitanga) – não é um tipo de bunda, neste caso sempre muito bem feita, mas o conjunto da obra que é invejável e passeia displicentemente no nosso litoral, é escultura da miscigenação no corpo da mulata brasileira: cintura fina, ancas largas, bumbum sempre redondinho olhando pra cima;

ó Fitnees – aquela que só passou a ser boa depois de muita malhação. Ela é uma resposta malcriada a lei da gravidade;

ó Natural – já nasceu linda e redonda feita assim por Deus;

ó Laranja – o nome já diz tudo, sem comentários.

ó Protagonista – o centro da trama, onde ela chega chama toda atenção pra si;

ó Coadjuvante – até que se nota, mas não é o centro das atenções.

ó Mac’donalds – é rápido e fácil de comer… (neste caso mais a dona né? a bunda coitada não tem culpa da dona que tem);

ó Preta Gil – não importa o formato ou o tamanho, mas tem personalidade e muita autoestima, e encanta muito bonitão por aí.

Existem outras classificações, mas seria impossível listar todas.

Eu ouso dizer que a visão da lei gravidade mudou por causa do bumbum, nestes novos tempos; a gravidade é aquela força que puxa sua bunda para baixo, só isso. É por causa dela que tem tanta gente por aí gastando dinheiro, tempo e energia, brigando e tentando enganá-la.

Pensando bem, tudo é meio cômico, mas também é triste. Afinal algumas pessoas _ muitas pessoas_ deixaram de admirar o talento, a opinião, a inteligência, o caráter, a beleza da alma e do coração, ou mesmo a pessoa como um ser inteiro, para admirar pedaços de carne, feito numana vitrine de açougue. Pedaços frescos de carne morta para serem consumidos com voracidade. E alguns ainda chamam isso de cultura, fala sério!

Enquanto isso, posso afirmar que continuarei acreditando que a bunda é uma parte anatômica, macia, apropriada para sentarmos, e nos proporcionar descanso, conforto para uma boa leitura, uma conversa agradável, para assistirmos um bom filme, a uma peça interessante, relaxarmos um dia de trabalho (ao menos no meu caso). A bunda ajuda a mente, a alma e o coração.

Então o que devemos fazer? Esperaremos as mulheres frutas entrarem para os anais da nossa história, e que sejam elas os modelos de toda uma geração de bundas profissionais que estão por vir. E que Deus nos livre da m… que está por vir.

Ser ou não: omissa, alienada ou participante?

Percebi que há algum tempo eu não presto mais atenção nos telejornais, deixo a TV ligada, mas sempre estou com a mente focada em outra coisa: preparando algo para comer ou lendo alguma coisa, também não tenho entrado em muitos sites de noticias ultimamente.

Creio que estou cansada, muito cansada de ver e saber que todos os dias pessoas morrem por falta de atendimento médico adequado; que mulheres são mortas por homens que afirmavam amá-las, que crianças são jogadas no lixo ou espancadas por pais que deveriam protegê-las; que os políticos continuam desviando nosso dinheiro impunemente; que do outro lado do oceano os refugiados do Sudão do Sul estão sem teto, sem água, sem comida e sem nenhuma perspectiva de uma vida um pouco melhor.

Estou cansada de tanta violência, de tanta morte sem sentido, de tanta tristeza e desgraça. Estou, literalmente, “de saco cheio” disso tudo, de ver poucos fazendo tudo errado, muito poucos tentando consertar, e muitos sem fazer nada, absolutamente nada. Cansei de ver tanta inércia, tanta má vontade, tanta gente que só se importa com seu próprio umbigo.

E eu estou com muito medo! Não da violência que crescente, mas de como isso tem afetado as pessoas e a mim, as pessoas estão anestesiadas, não sentem nada. Vemos pessoas morrendo na internet ou na TV todo o tempo são vítimas silenciosas da fome, da guerra, das drogas, da violência domestica. E ninguém sente nada, ninguém chora, ou se revolta ou se ressente, não vemos nenhum herói. E eu não quero isso para mim.

Estou ciente que me alienar do que ocorre no mundo não é o remédio. Até porque no meu trabalho eu tenho de lidar com estes problemas (crimes, mortes, violência doméstica, maus tratos à crianças, corrupção) todo dia. Acredito que tentar fugir disso no meu tempo livre foi quase um “ato reflexo”, meu subconsciente estava fugindo das más noticias, das mazelas e do caos desse mundo doido.

Pois bem! Eu não quero me anestesiar, eu quero me revoltar, me ressentir, eu quero sentir o peso disso e lamentar por tudo de ruim que está acontecendo. Você vai se perguntar: _ Afinal o que isso trará de bom? Não sei, mas sei que olhar só pro meu umbigo como se o resto do mundo fosse cor de rosa como meu quarto é estupidez.

Então, só pra “ser do contra”, eu decidi tentar fazer algo certo, algo bom. E que se dane quem está fazendo o mal, quem está se corrompendo, quem está tentando tirar vantagem de tudo e quem estaciona o carro na frente da rampa para deficientes.

Sempre tem algo de bom para fazer, mesmo que pareça um gesto pequeno, pode ser: ajudar um idoso a atravessar a rua (clichê!); fazer uma doação para os médicos sem fronteiras; entrar para o cadastro nacional de medula óssea, doar sangue (duas coisas pequenas, mas muito importantes); assinar uma petição da anistia internacional; diminuir o consumo de água e energia; parar de usar produtos cosméticos testados em animais; doar agasalhos no inverno que está chegando; adotar um cão de rua; ou ajudar alguém que precise e tem pelo menos mais uma centenas de exemplos algo bom para se fazer.

Pode até ser uma ingenuidade enorme a minha, pode não fazer diferença nenhuma, mas fará com que eu me sinta melhor, menos impotente talvez. E vou rezar e torcer muito para que cada pessoa anestesiada que leia isso resolva fazer alguma coisa, qualquer coisa. Afinal como disse o sábio Francisco de Assis: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.

Percebi que há algum tempo eu não presto mais atenção nos telejornais, deixo a TV ligada, mas sempre estou com a mente focada em outra coisa: preparando algo para comer ou lendo alguma coisa, também não tenho entrado em muitos sites de noticias ultimamente.

Creio que estou cansada, muito cansada de ver e saber que todos os dias pessoas morrem por falta de atendimento médico adequado; que mulheres são mortas por homens que afirmavam amá-las, que crianças são jogadas no lixo ou espancadas por pais que deveriam protegê-las; que os políticos continuam desviando nosso dinheiro impunemente; que do outro lado do oceano os refugiados do Sudão do Sul estão sem teto, sem água, sem comida e sem nenhuma perspectiva de uma vida um pouco melhor.

Estou cansada de tanta violência, de tanta morte sem sentido, de tanta tristeza e desgraça. Estou, literalmente, “de saco cheio” disso tudo, de ver poucos fazendo tudo errado, muito poucos tentando consertar, e muitos sem fazer nada, absolutamente nada. Cansei de ver tanta inércia, tanta má vontade, tanta gente que só se importa com seu próprio umbigo.

E eu estou com muito medo! Não da violência que crescente, mas de como isso tem afetado as pessoas e a mim, as pessoas estão anestesiadas, não sentem nada. Vemos pessoas morrendo na internet ou na TV todo o tempo são vítimas silenciosas da fome, da guerra, das drogas, da violência domestica. E ninguém sente nada, ninguém chora, ou se revolta ou se ressente, não vemos nenhum herói. E eu não quero isso para mim.

Estou ciente que me alienar do que ocorre no mundo não é o remédio. Até porque no meu trabalho eu tenho de lidar com estes problemas (crimes, mortes, violência doméstica, maus tratos à crianças, corrupção) todo dia. Acredito que tentar fugir disso no meu tempo livre foi quase um “ato reflexo”, meu subconsciente estava fugindo das más noticias, das mazelas e do caos desse mundo doido.

Pois bem! Eu não quero me anestesiar, eu quero me revoltar, me ressentir, eu quero sentir o peso disso e lamentar por tudo de ruim que está acontecendo. Você vai se perguntar: _ Afinal o que isso trará de bom? Não sei, mas sei que olhar só pro meu umbigo como se o resto do mundo fosse cor de rosa como meu quarto é estupidez.

Então, só pra “ser do contra”, eu decidi tentar fazer algo certo, algo bom. E que se dane quem está fazendo o mal, quem está se corrompendo, quem está tentando tirar vantagem de tudo e quem estaciona o carro na frente da rampa para deficientes.

Sempre tem algo de bom para fazer, mesmo que pareça um gesto pequeno, pode ser: ajudar um idoso a atravessar a rua (clichê!); fazer uma doação para os médicos sem fronteiras; entrar para o cadastro nacional de medula óssea, doar sangue (duas coisas pequenas, mas muito importantes); assinar uma petição da anistia internacional; diminuir o consumo de água e energia; parar de usar produtos cosméticos testados em animais; doar agasalhos no inverno que está chegando; adotar um cão de rua; ou ajudar alguém que precise e tem pelo menos mais uma centenas de exemplos algo bom para se fazer.

Pode até ser uma ingenuidade enorme a minha, pode não fazer diferença nenhuma, mas fará com que eu me sinta melhor, menos impotente talvez. E vou rezar e torcer muito para que cada pessoa anestesiada que leia isso resolva fazer alguma coisa, qualquer coisa. Afinal como disse o sábio Francisco de Assis: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.

Presentes de grego de “alguns” homens

M D - Presente de Natal

Os homens deveriam pensar melhor antes de dar presentes às mulheres, sério já recebi cada coisa que me deu vontade de chorar e não foi de alegria. Não importa se quem vai receber são as namoradas, as esposas, irmãs ou mães; eles raramente acertam na escolha.

E por que erram? Por varias razões, algumas eu já observei (e sofri), como:

– A cor. Eles não enxergam as cores como nós, mulheres, e isso é um fato cientifico. Não acredita? Tente explicar a um homem a diferença de rosa e salmão. Devido a essa “deficiência” eles compram uma roupa ou sapato com uma cor que, normalmente, não combina com nada que você tem no armário, ou que fica horrível com o seu tom de pele. Uma vez ganhei uma saia amarelo-ovo horrível, foi um suplício usá-la.

– O tamanho, outro problema, porque se a roupa fica muito grande, a conclusão óbvia é que ele achou que seu número era mesmo aquele (enorme!), então te chamou de gorda; se a roupa fica pequena, concluímos que é um recado inconsciente dizendo: “Façam dieta até caberem nesta calça”, ou seja, nos chamam de gorda de qualquer forma.

– O preço. A noção de preço difere muito entre os sexos. Um sapato lindo valiosíssimo para nós, não vale quase nada para eles, mas aquela camisa horrorosa de time de futebol tem valor inestimável para eles, e além de comprá-las sem reclamar, chegam a usá-las com orgulho. Ou na pior das hipóteses o cara é pão duro mesmo e aí é melhor trocar de namorado porque homem mão de vaca é o fim.

– A fuga. Coisa normal no cotidiano das mulheres é ver a fuga desesperada dos homens para o presente, na visão deles, mais fácil de escolher. A sessão de eletrodomésticos das lojas está cheia de fugitivos da difícil escolha dos presentes. Aí! No seu aniversário ou no dia dos namorados ele te dá uma batedeira ou um ferro de passar (situação que deveria servir de atenuante em homicídios). Isso nos ofende, é como se estivessem dizendo: “Voltem para a cozinha que é o lugar de vocês.”

– A calcinha. Um dia, com a melhor das intenções, ele resolve te dar uma lingerie de presente. Isso é dramático, porque normalmente o presente é só a lingerie, esta não acompanha nenhum presente principal (se fosse assim não haveria problema). Parece que os homens não entenderam ainda que não dá para usar no dia-a-dia uma calcinha minúscula, rosa-choque, com um pompom na parte de trás. Aqui também entra a questão do preço porque raramente eles compram aquela camisola de seda e renda que você está namorando a um tempão. Uma amiga ganhou uma calcinha com uma cauda de vaca na parte traseira, fala sério!

– O jantar. Só para lembrar que churrascaria rodizio, pizzaria e boteco não é lugar de jantar romântico de maneira nenhuma e se você comer até estourar a noite romântica vai pro brejo, afinal com indigestão não há viagra que funcione.

Meus caros rapazes e senhores: Existem alguns cuidados básicos para não errar na hora de comprar presentes para mulheres:

– bolsas, ninguém consegue errar dando de presente uma Prada, uma Gucci, uma Victor Hugo entre outras. Qualquer mulher irá adorar, seja qual for o modelo.

– perfumes; verifique antes se ela não é alérgica, e nada de cosméticos anti-rugas, isso será motivo de uma semana sem sexo, no mínimo. Vão direto nos clássicos como o chanel n° 5, Opium etc.

– jóias. Também neste caso recorra aos clássicos, uma aliança de esmeraldas, um solitário de brilhantes, uns brincos de água marinha; são todos irresistíveis.

Se com tudo isso ainda não conseguirem escolher sozinhos, levem um amigo gay, que ele saberá o que escolher.

Agora, se o problema for dinheiro (ou a falta dele), tente algo inusitado, sejam românticos (é só por uma noite, não vai doer), mandem flores, nos levem para jantar num bom restaurante (aqueles que tem comida de verdade), depois para um show e no fim da noite deixem claro o quanto somos imprescindíveis em suas vidas, nós ficaremos felizes e o presente será inesquecível.

Viram? Não é tão difícil agradar uma mulher de bom gosto.

(26/04/2007)

A sogra

Jararaca-ilhoa            Hoje estive pensando e percebi que para mim está muito mais difícil arrumar um namorado. Por quê? _ Sofro de sografobia. Então, ou a mãe do meu eleito tem que ser uma boa sogra, uma santa (coisa raríssima), ou ele tem que ser órfão.

Este meu pavor é muito justificável, isto porque é simplesmente impossível agradar, ou mesmo não desagradar esta criatura tão pérfida.

A sogra, personagem comum nas lendas urbanas mais aterrorizantes, é a maior responsável pelo fim dos relacionamentos de seus respectivos rebentos. Elas não respeitam namoro, casamento, união estável, relacionamento aberto, tudo esta na sua mira ofídica e voraz.

Tudo começa no primeiro contato. Algumas se apresentam como doces velhinhas ou simpáticas senhoras, e você, ingênua, pensa: “_ A mulher que criou o homem por quem me apaixonei, deve ser uma pessoa incrível.” Doce e efêmera ilusão; há aquelas que se mostram sem máscaras já no primeiro encontro. E não há como saber qual o espécime mais perigoso.

Logo cai a pele de cordeiro e mostra-se o belo couro de cobra (como seria bom para fazer um cinto); e não há soro antiofídico para tal veneno. Ela ataca por todos os lados, rápida e fatal como toda serpente. O primeiro e pior ataque é sempre na nossa vaidade; se você está magra, ela dirá que parece doente; se está um pouco acima do peso, ela te encherá de piadinhas de gorda ou na hora da sobremesa com a mesa cheia, a cascavel diz: “_ Querida, você não vai querer, né? Está mesmo precisando evitar doces!”, neste momento trágico, feche os olhos e imagine um belo cinto com a pele dela na sua cintura, isso faz qualquer um se sentir melhor.

O veneno mortal aumenta gradativamente à medida que o relacionamento com o filhinho dela se fortalece. Aí, insinuar que você vai dar o golpe da barriga, ou que o filho dela é muito jovem para um namoro sério, ou o melodrama clássico de que está se sentindo sozinha depois do inicio do namoro (obvio, nem o marido agüenta a surucucu), se tornam uma constante em sua vida. E, pior, são só os primeiros botes viperinos.

Eu não estou exagerando; por experiência própria. Uma vez dormi demais na fazenda de um namorado e quando acordei às 10 h (não era tão tarde assim) a jararaca havia tirado a mesa do café da manhã e eu fiquei com fome até às 15 h. Quase morri àquele dia e lembro que cada vez que eu esboçava um sinal de dor de estômago, podia ver um sorrisinho de prazer naquele rosto diabólico.

Com o tempo as coisas só pioram; as piadinhas, a implicância, as indiretas cruéis, a maneira característica que só elas têm de ignorar solenemente um presente maravilhoso que você escolheu com todo cuidado em mais uma tentativa vã de se aproximar dela. Afinal, algumas pessoas criam serpentes em casa, como animais de estimação, e por amor a gente tenta estabelecer um vínculo como essa espécie de repteis.

E o talento enorme que só uma sogra tem de transformar todas as suas virtudes em defeitos? Assim, se você é religiosa, vira uma beata; se não é, vira pagã; se é inteligente, vira prepotente; se é bonita, vira burra; se é humilde, vira uma “mosca morta”; se é geniosa, vira “uma onça”, e por aí vai. Nada que você fizer será suficientemente bom, você nunca estará à altura do filhinho dela.

Como lidar com essas serpentes que estão intimamente ligadas aos nossos amados? Cara Amiga, você não espera que eu, uma mera mortal, nesta simples crônica, responda essa pergunta que há séculos aflige as mulheres do mundo. Só posso lhes prevenir que não podemos ir desarmadas a uma selva de víboras. Se ela é venenosa, seja pior, nunca, jamais seja “boazinha”, é dessas que elas se alimentam primeiro.

É claro que há raríssimas exceções. Se você teve a sorte de achar um homem órfão ou com uma mãe legal; exceções só confirmam a regra. Se você assim como eu e muitas outras, tem uma legitima “sogra-coral”, torça para que a velha logo estique as canelas, vista o pijama de madeira, encontre o derradeiro descanso, embora o dito popular diga que vaso ruim não quebra. Você também tem a opção de se mudar com ele para outra cidade, outro estado, outro país (quanto mais longe melhor), deste jeito terá paz se não atender ao telefone. Pode ter certeza, manter-se distante é a melhor saída, a única solução, porque sogra é uma criatura tão ruim que nem o diabo quer a dele por perto.

19/06/07