Poesia para o Dia das mães (atrasado)

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Ontem foi o dia das mães e eu não postei nada porquê passei o dia curtindo a minha mãe (fotinho acima da mamãe e da minha vovó).

Mãe que é algo que Deus deve ter feito em uma manhã inspirada, porque de todos no mundo elas são as únicas que realmente tem super poderes: dissipam o medo com um colinho, saram dodóis com beijinho, afastam a insônia quando dormem conosco, fazem a melhor comida do mundo mesmo quando não sabem cozinhar. Então aí vai o que um de meus poetas favoritos falou sobre as mamães.

MINHA MÃE

Rio de Janeiro , 1933

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fronte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.

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Fica a Dica: ler alimenta a mente e o espírito…

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Aproveitando o ultimo post fica a dica do livro “Primaveras” do Casimiro de Abreu, poeta da segunda geração do romantismo brasileiro, sua poesia é uma leitura fácil e leve, a linguagem é simples e todas as poesias são cheias de ternura e amor.

E essa versão de bolso é excelente, pequena e baratinha, dá para colocar na bolsa e levar para todo canto. Assim pode-se aproveitar o tempo dentro do ônibus ou na sala de espera do médico.

Espero que gostem.

beijooooooooooooooooooooooo

Poesia por uma vida mais leve, mais colorida e mais bela. Poesia porque faz bem para a alma.

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Para vocês, queridos! Casimiro de Abreu e a beleza de seus versos. Este poema está no livro Primaveras que é uma delícia de leitura. É aquele tipo de livro para se ter no quarto sempre a mão e, de repente abrir em qualquer página e ler, as poesias dele são maravilhosas e como esta muito termas. Deliciem-se, como sempre digo deixem as palavras escorrerem na boca como mel.

E para combinar com o clima bucólico da poesia mais um pouco das flores da mamãe.

Beijooooooooooooooooooo

O QUE É – SIMPATIA

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’Agôsto,
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é – quase amor!

Um pouco de poesia para adoçar a alma…

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Boa noite gente linda!

Essa semana foi complicada e o fim de semana mais complicado ainda, não tive tempo para nada. Normalmente eu reviso minhas crônicas algumas vezes antes de postar, comparo com a versão que saiu no jornal, enfim tento melhorar sempre. Desculpem a demora, logo volto com outro texto meu.

Então resolvi postar um poema do John Donne que eu adoro. Aproveitem, leiam e deixem as palavras derreterem na sua boca como geleia num pãozinho quente.

Ah! A foto que está ilustrando o post é de uma das flores da minha mãe, adoro aquele jardim, sempre posto fotos dele no instagran (@karynnaespinoso), se quiserem dar uma passadinha lá serão bem vindos.

Beijooooooooooooooooo

EM DESPEDIDA: PROIBINDO O PRANTO

Como esses santos homens que se apagam
Sussurrando aos espíritos: “Que vão…”,
Enquanto alguns dos amigos amargos
Dizem: “Ainda respira.” E outros: “Não.”

Nos dissolvamos sem fazer ruído.
Sem tempestades de ais, sem rios de pranto,
Fora profanação nossa ao ouvido
Dos leigos descerrar todo este encanto.

O terremoto traz terror e morte
E o que ele faz expõe a toda a gente,
Mas a trepidação do firmamento,
Embora ainda maior, é inocente.

O amor desses amantes sublunares
(Cuja alma é só sentidos) não resiste
A ausência, que transforma em singulares
Os elementos em que ele consiste.

Mas a nós (por uma afeição tão alta,
Que nem sabemos do que seja feita,
Interassegurado o pensamento)
Mãos, olhos, lábios não nos fazem falta.

As duas almas, que são uma só,
Embora eu deva ir, não sofrerão
Um rompimento, mas uma expansão,
Como ouro reduzido a aéreo pó.

Se são duas, o são similarmente
Às duas duras pernas do compasso:
Tua alma é a perna fixa, em aparente
Inércia, mas se move a cada passo

Da outra, e se no centro quieta jaz,
Quando se distancia aquela, essa
Se inclina atentamente e vai-lhe atrás,
E se endireita quando ela regressa.

Assim serás para mim que pareço
Como a outra perna obliquamente andar.
Tua firmeza faz-me, circular,
Encontrar meu final em meu começo.