Um pouco de poesia para adoçar a alma…

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Boa noite gente linda!

Essa semana foi complicada e o fim de semana mais complicado ainda, não tive tempo para nada. Normalmente eu reviso minhas crônicas algumas vezes antes de postar, comparo com a versão que saiu no jornal, enfim tento melhorar sempre. Desculpem a demora, logo volto com outro texto meu.

Então resolvi postar um poema do John Donne que eu adoro. Aproveitem, leiam e deixem as palavras derreterem na sua boca como geleia num pãozinho quente.

Ah! A foto que está ilustrando o post é de uma das flores da minha mãe, adoro aquele jardim, sempre posto fotos dele no instagran (@karynnaespinoso), se quiserem dar uma passadinha lá serão bem vindos.

Beijooooooooooooooooo

EM DESPEDIDA: PROIBINDO O PRANTO

Como esses santos homens que se apagam
Sussurrando aos espíritos: “Que vão…”,
Enquanto alguns dos amigos amargos
Dizem: “Ainda respira.” E outros: “Não.”

Nos dissolvamos sem fazer ruído.
Sem tempestades de ais, sem rios de pranto,
Fora profanação nossa ao ouvido
Dos leigos descerrar todo este encanto.

O terremoto traz terror e morte
E o que ele faz expõe a toda a gente,
Mas a trepidação do firmamento,
Embora ainda maior, é inocente.

O amor desses amantes sublunares
(Cuja alma é só sentidos) não resiste
A ausência, que transforma em singulares
Os elementos em que ele consiste.

Mas a nós (por uma afeição tão alta,
Que nem sabemos do que seja feita,
Interassegurado o pensamento)
Mãos, olhos, lábios não nos fazem falta.

As duas almas, que são uma só,
Embora eu deva ir, não sofrerão
Um rompimento, mas uma expansão,
Como ouro reduzido a aéreo pó.

Se são duas, o são similarmente
Às duas duras pernas do compasso:
Tua alma é a perna fixa, em aparente
Inércia, mas se move a cada passo

Da outra, e se no centro quieta jaz,
Quando se distancia aquela, essa
Se inclina atentamente e vai-lhe atrás,
E se endireita quando ela regressa.

Assim serás para mim que pareço
Como a outra perna obliquamente andar.
Tua firmeza faz-me, circular,
Encontrar meu final em meu começo.

Ser ou não: omissa, alienada ou participante?

Percebi que há algum tempo eu não presto mais atenção nos telejornais, deixo a TV ligada, mas sempre estou com a mente focada em outra coisa: preparando algo para comer ou lendo alguma coisa, também não tenho entrado em muitos sites de noticias ultimamente.

Creio que estou cansada, muito cansada de ver e saber que todos os dias pessoas morrem por falta de atendimento médico adequado; que mulheres são mortas por homens que afirmavam amá-las, que crianças são jogadas no lixo ou espancadas por pais que deveriam protegê-las; que os políticos continuam desviando nosso dinheiro impunemente; que do outro lado do oceano os refugiados do Sudão do Sul estão sem teto, sem água, sem comida e sem nenhuma perspectiva de uma vida um pouco melhor.

Estou cansada de tanta violência, de tanta morte sem sentido, de tanta tristeza e desgraça. Estou, literalmente, “de saco cheio” disso tudo, de ver poucos fazendo tudo errado, muito poucos tentando consertar, e muitos sem fazer nada, absolutamente nada. Cansei de ver tanta inércia, tanta má vontade, tanta gente que só se importa com seu próprio umbigo.

E eu estou com muito medo! Não da violência que crescente, mas de como isso tem afetado as pessoas e a mim, as pessoas estão anestesiadas, não sentem nada. Vemos pessoas morrendo na internet ou na TV todo o tempo são vítimas silenciosas da fome, da guerra, das drogas, da violência domestica. E ninguém sente nada, ninguém chora, ou se revolta ou se ressente, não vemos nenhum herói. E eu não quero isso para mim.

Estou ciente que me alienar do que ocorre no mundo não é o remédio. Até porque no meu trabalho eu tenho de lidar com estes problemas (crimes, mortes, violência doméstica, maus tratos à crianças, corrupção) todo dia. Acredito que tentar fugir disso no meu tempo livre foi quase um “ato reflexo”, meu subconsciente estava fugindo das más noticias, das mazelas e do caos desse mundo doido.

Pois bem! Eu não quero me anestesiar, eu quero me revoltar, me ressentir, eu quero sentir o peso disso e lamentar por tudo de ruim que está acontecendo. Você vai se perguntar: _ Afinal o que isso trará de bom? Não sei, mas sei que olhar só pro meu umbigo como se o resto do mundo fosse cor de rosa como meu quarto é estupidez.

Então, só pra “ser do contra”, eu decidi tentar fazer algo certo, algo bom. E que se dane quem está fazendo o mal, quem está se corrompendo, quem está tentando tirar vantagem de tudo e quem estaciona o carro na frente da rampa para deficientes.

Sempre tem algo de bom para fazer, mesmo que pareça um gesto pequeno, pode ser: ajudar um idoso a atravessar a rua (clichê!); fazer uma doação para os médicos sem fronteiras; entrar para o cadastro nacional de medula óssea, doar sangue (duas coisas pequenas, mas muito importantes); assinar uma petição da anistia internacional; diminuir o consumo de água e energia; parar de usar produtos cosméticos testados em animais; doar agasalhos no inverno que está chegando; adotar um cão de rua; ou ajudar alguém que precise e tem pelo menos mais uma centenas de exemplos algo bom para se fazer.

Pode até ser uma ingenuidade enorme a minha, pode não fazer diferença nenhuma, mas fará com que eu me sinta melhor, menos impotente talvez. E vou rezar e torcer muito para que cada pessoa anestesiada que leia isso resolva fazer alguma coisa, qualquer coisa. Afinal como disse o sábio Francisco de Assis: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.

Percebi que há algum tempo eu não presto mais atenção nos telejornais, deixo a TV ligada, mas sempre estou com a mente focada em outra coisa: preparando algo para comer ou lendo alguma coisa, também não tenho entrado em muitos sites de noticias ultimamente.

Creio que estou cansada, muito cansada de ver e saber que todos os dias pessoas morrem por falta de atendimento médico adequado; que mulheres são mortas por homens que afirmavam amá-las, que crianças são jogadas no lixo ou espancadas por pais que deveriam protegê-las; que os políticos continuam desviando nosso dinheiro impunemente; que do outro lado do oceano os refugiados do Sudão do Sul estão sem teto, sem água, sem comida e sem nenhuma perspectiva de uma vida um pouco melhor.

Estou cansada de tanta violência, de tanta morte sem sentido, de tanta tristeza e desgraça. Estou, literalmente, “de saco cheio” disso tudo, de ver poucos fazendo tudo errado, muito poucos tentando consertar, e muitos sem fazer nada, absolutamente nada. Cansei de ver tanta inércia, tanta má vontade, tanta gente que só se importa com seu próprio umbigo.

E eu estou com muito medo! Não da violência que crescente, mas de como isso tem afetado as pessoas e a mim, as pessoas estão anestesiadas, não sentem nada. Vemos pessoas morrendo na internet ou na TV todo o tempo são vítimas silenciosas da fome, da guerra, das drogas, da violência domestica. E ninguém sente nada, ninguém chora, ou se revolta ou se ressente, não vemos nenhum herói. E eu não quero isso para mim.

Estou ciente que me alienar do que ocorre no mundo não é o remédio. Até porque no meu trabalho eu tenho de lidar com estes problemas (crimes, mortes, violência doméstica, maus tratos à crianças, corrupção) todo dia. Acredito que tentar fugir disso no meu tempo livre foi quase um “ato reflexo”, meu subconsciente estava fugindo das más noticias, das mazelas e do caos desse mundo doido.

Pois bem! Eu não quero me anestesiar, eu quero me revoltar, me ressentir, eu quero sentir o peso disso e lamentar por tudo de ruim que está acontecendo. Você vai se perguntar: _ Afinal o que isso trará de bom? Não sei, mas sei que olhar só pro meu umbigo como se o resto do mundo fosse cor de rosa como meu quarto é estupidez.

Então, só pra “ser do contra”, eu decidi tentar fazer algo certo, algo bom. E que se dane quem está fazendo o mal, quem está se corrompendo, quem está tentando tirar vantagem de tudo e quem estaciona o carro na frente da rampa para deficientes.

Sempre tem algo de bom para fazer, mesmo que pareça um gesto pequeno, pode ser: ajudar um idoso a atravessar a rua (clichê!); fazer uma doação para os médicos sem fronteiras; entrar para o cadastro nacional de medula óssea, doar sangue (duas coisas pequenas, mas muito importantes); assinar uma petição da anistia internacional; diminuir o consumo de água e energia; parar de usar produtos cosméticos testados em animais; doar agasalhos no inverno que está chegando; adotar um cão de rua; ou ajudar alguém que precise e tem pelo menos mais uma centenas de exemplos algo bom para se fazer.

Pode até ser uma ingenuidade enorme a minha, pode não fazer diferença nenhuma, mas fará com que eu me sinta melhor, menos impotente talvez. E vou rezar e torcer muito para que cada pessoa anestesiada que leia isso resolva fazer alguma coisa, qualquer coisa. Afinal como disse o sábio Francisco de Assis: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.

Presentes de grego de “alguns” homens

M D - Presente de Natal

Os homens deveriam pensar melhor antes de dar presentes às mulheres, sério já recebi cada coisa que me deu vontade de chorar e não foi de alegria. Não importa se quem vai receber são as namoradas, as esposas, irmãs ou mães; eles raramente acertam na escolha.

E por que erram? Por varias razões, algumas eu já observei (e sofri), como:

– A cor. Eles não enxergam as cores como nós, mulheres, e isso é um fato cientifico. Não acredita? Tente explicar a um homem a diferença de rosa e salmão. Devido a essa “deficiência” eles compram uma roupa ou sapato com uma cor que, normalmente, não combina com nada que você tem no armário, ou que fica horrível com o seu tom de pele. Uma vez ganhei uma saia amarelo-ovo horrível, foi um suplício usá-la.

– O tamanho, outro problema, porque se a roupa fica muito grande, a conclusão óbvia é que ele achou que seu número era mesmo aquele (enorme!), então te chamou de gorda; se a roupa fica pequena, concluímos que é um recado inconsciente dizendo: “Façam dieta até caberem nesta calça”, ou seja, nos chamam de gorda de qualquer forma.

– O preço. A noção de preço difere muito entre os sexos. Um sapato lindo valiosíssimo para nós, não vale quase nada para eles, mas aquela camisa horrorosa de time de futebol tem valor inestimável para eles, e além de comprá-las sem reclamar, chegam a usá-las com orgulho. Ou na pior das hipóteses o cara é pão duro mesmo e aí é melhor trocar de namorado porque homem mão de vaca é o fim.

– A fuga. Coisa normal no cotidiano das mulheres é ver a fuga desesperada dos homens para o presente, na visão deles, mais fácil de escolher. A sessão de eletrodomésticos das lojas está cheia de fugitivos da difícil escolha dos presentes. Aí! No seu aniversário ou no dia dos namorados ele te dá uma batedeira ou um ferro de passar (situação que deveria servir de atenuante em homicídios). Isso nos ofende, é como se estivessem dizendo: “Voltem para a cozinha que é o lugar de vocês.”

– A calcinha. Um dia, com a melhor das intenções, ele resolve te dar uma lingerie de presente. Isso é dramático, porque normalmente o presente é só a lingerie, esta não acompanha nenhum presente principal (se fosse assim não haveria problema). Parece que os homens não entenderam ainda que não dá para usar no dia-a-dia uma calcinha minúscula, rosa-choque, com um pompom na parte de trás. Aqui também entra a questão do preço porque raramente eles compram aquela camisola de seda e renda que você está namorando a um tempão. Uma amiga ganhou uma calcinha com uma cauda de vaca na parte traseira, fala sério!

– O jantar. Só para lembrar que churrascaria rodizio, pizzaria e boteco não é lugar de jantar romântico de maneira nenhuma e se você comer até estourar a noite romântica vai pro brejo, afinal com indigestão não há viagra que funcione.

Meus caros rapazes e senhores: Existem alguns cuidados básicos para não errar na hora de comprar presentes para mulheres:

– bolsas, ninguém consegue errar dando de presente uma Prada, uma Gucci, uma Victor Hugo entre outras. Qualquer mulher irá adorar, seja qual for o modelo.

– perfumes; verifique antes se ela não é alérgica, e nada de cosméticos anti-rugas, isso será motivo de uma semana sem sexo, no mínimo. Vão direto nos clássicos como o chanel n° 5, Opium etc.

– jóias. Também neste caso recorra aos clássicos, uma aliança de esmeraldas, um solitário de brilhantes, uns brincos de água marinha; são todos irresistíveis.

Se com tudo isso ainda não conseguirem escolher sozinhos, levem um amigo gay, que ele saberá o que escolher.

Agora, se o problema for dinheiro (ou a falta dele), tente algo inusitado, sejam românticos (é só por uma noite, não vai doer), mandem flores, nos levem para jantar num bom restaurante (aqueles que tem comida de verdade), depois para um show e no fim da noite deixem claro o quanto somos imprescindíveis em suas vidas, nós ficaremos felizes e o presente será inesquecível.

Viram? Não é tão difícil agradar uma mulher de bom gosto.

(26/04/2007)

A sogra

Jararaca-ilhoa            Hoje estive pensando e percebi que para mim está muito mais difícil arrumar um namorado. Por quê? _ Sofro de sografobia. Então, ou a mãe do meu eleito tem que ser uma boa sogra, uma santa (coisa raríssima), ou ele tem que ser órfão.

Este meu pavor é muito justificável, isto porque é simplesmente impossível agradar, ou mesmo não desagradar esta criatura tão pérfida.

A sogra, personagem comum nas lendas urbanas mais aterrorizantes, é a maior responsável pelo fim dos relacionamentos de seus respectivos rebentos. Elas não respeitam namoro, casamento, união estável, relacionamento aberto, tudo esta na sua mira ofídica e voraz.

Tudo começa no primeiro contato. Algumas se apresentam como doces velhinhas ou simpáticas senhoras, e você, ingênua, pensa: “_ A mulher que criou o homem por quem me apaixonei, deve ser uma pessoa incrível.” Doce e efêmera ilusão; há aquelas que se mostram sem máscaras já no primeiro encontro. E não há como saber qual o espécime mais perigoso.

Logo cai a pele de cordeiro e mostra-se o belo couro de cobra (como seria bom para fazer um cinto); e não há soro antiofídico para tal veneno. Ela ataca por todos os lados, rápida e fatal como toda serpente. O primeiro e pior ataque é sempre na nossa vaidade; se você está magra, ela dirá que parece doente; se está um pouco acima do peso, ela te encherá de piadinhas de gorda ou na hora da sobremesa com a mesa cheia, a cascavel diz: “_ Querida, você não vai querer, né? Está mesmo precisando evitar doces!”, neste momento trágico, feche os olhos e imagine um belo cinto com a pele dela na sua cintura, isso faz qualquer um se sentir melhor.

O veneno mortal aumenta gradativamente à medida que o relacionamento com o filhinho dela se fortalece. Aí, insinuar que você vai dar o golpe da barriga, ou que o filho dela é muito jovem para um namoro sério, ou o melodrama clássico de que está se sentindo sozinha depois do inicio do namoro (obvio, nem o marido agüenta a surucucu), se tornam uma constante em sua vida. E, pior, são só os primeiros botes viperinos.

Eu não estou exagerando; por experiência própria. Uma vez dormi demais na fazenda de um namorado e quando acordei às 10 h (não era tão tarde assim) a jararaca havia tirado a mesa do café da manhã e eu fiquei com fome até às 15 h. Quase morri àquele dia e lembro que cada vez que eu esboçava um sinal de dor de estômago, podia ver um sorrisinho de prazer naquele rosto diabólico.

Com o tempo as coisas só pioram; as piadinhas, a implicância, as indiretas cruéis, a maneira característica que só elas têm de ignorar solenemente um presente maravilhoso que você escolheu com todo cuidado em mais uma tentativa vã de se aproximar dela. Afinal, algumas pessoas criam serpentes em casa, como animais de estimação, e por amor a gente tenta estabelecer um vínculo como essa espécie de repteis.

E o talento enorme que só uma sogra tem de transformar todas as suas virtudes em defeitos? Assim, se você é religiosa, vira uma beata; se não é, vira pagã; se é inteligente, vira prepotente; se é bonita, vira burra; se é humilde, vira uma “mosca morta”; se é geniosa, vira “uma onça”, e por aí vai. Nada que você fizer será suficientemente bom, você nunca estará à altura do filhinho dela.

Como lidar com essas serpentes que estão intimamente ligadas aos nossos amados? Cara Amiga, você não espera que eu, uma mera mortal, nesta simples crônica, responda essa pergunta que há séculos aflige as mulheres do mundo. Só posso lhes prevenir que não podemos ir desarmadas a uma selva de víboras. Se ela é venenosa, seja pior, nunca, jamais seja “boazinha”, é dessas que elas se alimentam primeiro.

É claro que há raríssimas exceções. Se você teve a sorte de achar um homem órfão ou com uma mãe legal; exceções só confirmam a regra. Se você assim como eu e muitas outras, tem uma legitima “sogra-coral”, torça para que a velha logo estique as canelas, vista o pijama de madeira, encontre o derradeiro descanso, embora o dito popular diga que vaso ruim não quebra. Você também tem a opção de se mudar com ele para outra cidade, outro estado, outro país (quanto mais longe melhor), deste jeito terá paz se não atender ao telefone. Pode ter certeza, manter-se distante é a melhor saída, a única solução, porque sogra é uma criatura tão ruim que nem o diabo quer a dele por perto.

19/06/07

Solidão

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Uma vez Álvares de Azevedo disse que “a solidão tem segredos amenos para quem a sente”, mas pensando nisso hoje eu me pergunto: _ Que segredos amenos são esses… ?

A solidão não é amena, talvez ela seja sutil hoje em dia, mas amena, nunca.

Pessoas solitárias não são amenas, não parecem ouvir segredos amenos no meio de uma terça-feira ociosa e entediante. Eu entendo bem isso.

Para começar, todo solitário é egoísta, exigente demais consigo mesmo e com os que o cercam. Isso por que ele passa tempo demais ouvindo seus próprios pensamentos, enrijecendo seus conceitos e valores, e conclui está sempre com a razão. Não raro sente-se injustiçado.

O solitário também é rabugento. Ele se habitua a repetir, incansavelmente, suas manias; como geralmente ninguém protesta ou reclama, de tanto repetir suas cantilenas, acaba por julgá-las necessárias.

Eu posso dizer tudo isso com propriedade e conhecimento de causa. Sempre fui uma solitária, e descobri muitas nuances desse estado peculiar em que a maioria das pessoas se encontram e sequer se dão conta.

Descobri, por exemplo, que a solidão nos torna narcisistas. Quem é sozinho raramente olha para os outros; é egocêntrico, vê para dentro de si. Se apaixona pelo espelho e espalha fotos suas pela casa, por que, fugindo da realidade do mundo desagradável, adora a visão do próprio rosto. Só enxerga o que lhe dá prazer. Isso explica o que eu disse acima e nos leva a Narciso, o solitário se acha lindo, e sendo assim, seu parceiro também deve o ser, para estar a sua altura.

Este foi o grande segredo que descobri. A  solidão se alimenta de nossa vaidade, de nossa prepotência. Ela nos faz acreditar que nossa companhia nos basta, que ninguém é bom o suficiente para nós. E, assim, inventamos desculpas esfarrapadas para nos mantermos neste claustro, como: “Não tenho tempo para essas coisas” ou “Minha profissão é mais importante agora” etc etc etc.

Mas nem tudo é ruim, nessa relação controvertida: a solidão não é aconchegante nem quente, mas é confortável. Há uma doce segurança por trás desse castelo de muralhas enormes que construímos à nossa volta, há um mundo próprio e sossegado, um lugar livre de decepções ou julgamentos alheios. Claro, sem arroubos de felicidade ou entusiasmo, mas principalmente, sem dores atrozes, a salvo daqueles que nos machucam.

E por fim, o solitário é um covarde, um medroso escondido atrás dos muros altos e sólidos que ele ergueu, acomodado em sua paz fictícia, acreditando ser uma fortaleza.

O tempo implacável, transforma essa pseudo segurança em tédio, em tristeza, em vazio. E, esse mesmo tempo, brincando com nossas certezas vãs, nos mostra que se alguém consegue transpor essa barreira (esse muro que também o tempo corrói), não temos mais defesas por que não nos habituamos a nos defender, nem a nos levantar após a queda, nem curar nossas feridas, nem a suportar nossas dores. Simplesmente porque não tínhamos de quem se defender, não havia feridas, não havia dores, nem quedas.

O destino não respeita os muros que construímos, nem nossa opção pela solidão. A vida nos impõe seu próprio curso, e a melhor saída para os covardes é ficar em cima do muro, assistindo a tudo de camarote.

Aos tímidos e solitários, resta, portanto, a difícil decisão de permanecer neste autoexílio ou sair dele e encarar (às vezes a tapa) o caminho. De qualquer forma teremos que renunciar a algo que nos é muito caro, ou a segurança do nosso castelo ou a beleza da caminhada!

12/04/2007