Fica a dica: chuva + fim de semana = leitura

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Bom dia! Com este tempinho nada melhor que um livrinho e um chá embaixo de uma manta quentinha, então recomendo “O livro dos seres imaginários” do Jorge Luis Borges. A leitura é muito leve e fluida, no texto ele fala de vários seres lendários e mitológicos do mundo, é muito interessante. Eu já li e reli algumas vezes e é realmente uma delícia.

beijoooooooooooooooooooooooo

Sinopse: Ordenados alfabeticamente, como nas enciclopédias que tanto fascinavam Borges, desfilam diante do leitor os estranhos seres deste “manual de zoologia fantástica” (título da primeira edição desta obra, que saiu em 1957), sustentados pela complexa erudição borgiana, avalizada por seu domínio tanto das línguas clássicas como das modernas. Com freqüência, ele mergulha na etimologia para explicar animais exóticos como o cabisbaixo búfalo negro com cabeça de porco “catóblepa” (o que olha para baixo) e o da serpente de duas cabeças “anfibesna” (que vai em duas direções), ou mais familiares, como as valquírias (aquelas que escolhem os mortos) ou as fadas (do latim fatum, destino), entidades que intervêm nos assuntos dos homens. Mas a erudição não está a serviço da sisudez de um tratado acadêmico; ao contrário, contribui para o tom lúdico e bem humorado do livro. O próprio Borges diz no seu prólogo que gostaria que “os curiosos o freqüentassem como quem brinca com as formas cambiantes reveladas por um caleidoscópio”. E nessa brincadeira, ele faz uma homenagem à imaginação infinita dos homens, capaz de criar os seres mais curiosos e absurdos como sereias, unicórnios, centauros, hidras e dragões – e eventualmente acreditar neles -, animais que, como disse o crítico Alexandre Eulálio, “Borges acaricia passando preguiçosamente a mão complacente do dono”.

Vai um remedinho aí?

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Segundo o dicionário hipocondríaco é quem está sempre preocupado com a própria saúde, ouso discordar, a observação contínua me fez perceber que o hipocondríaco é preocupado com a doença ou doenças que julga ter.

Definida como transtorno psicológico, a famosa “mania de doença” é por demais comum nos dias atuais, e com a facilidade de adquirir medicamentos quase todo mundo anda com um arsenal farmacêutico na bolsa a ao sinal do mais leve incomodo se automedicam (ou medicam o colega ao lado: _ Vai um remedinho aí?) podemos vê-la em varias níveis de gravidade e em inúmeras pessoas de nosso convívio.

Conheço alguns casos bem graves, como uma amiga querida, que quando vai ao shopping vai primeiro a farmácia, deixando as demais lojas de lado. Ela lê pesquisas médicas na internet e cria novos hábitos de vida, supostamente para se manter longe doenças, à pouco tempo leu numa pesquisa que beijar na boca aumenta o risco de contrair meningite e ficou meses sem “pegar” ninguém. Faz teste para DST com uma frequência absurda sem ter vida sexual ativa e quando sabe de um novo exame, pra qualquer coisa, vai lá e faz, mesmo que precise pagar do próprio bolso, e pior, obriga os namorados a se submeterem a uma bateria de exames e depois não confia nos resultados.

Alias, ela está muito bem acompanhada, varias “celebridades” apresentam esta mania como Rei Henrique VIII, Charles Darwin, Mikael Jakson, Cameron Dias, Toquinho (dizem que por onde anda leva um saquinho de remédios consigo), já li que a atriz americana não toca em maçanetas de locais desconhecidos e que lava a mão incontáveis vezes ao dia para se livrar dos germes, e o que falar do Rei do Pop que chegou a usar mascaras (e obrigou os filhos a fazerem o mesmo) com medo de qualquer tipo de contaminação, mas tudo bem se você faz isso e é milionário, famoso ou estrela de cinema é exótico, para os demais mortais é esquisitice mesmo.

Um outro fato curioso sobre isso é que quem tem essa “mania” se acha médico, faz diagnóstico, exame físico (hoje em dia qualquer um tem “aparelho de aferir a pressão” e aquele outro que testa o nível da glicose em casa… deve ter quem ache divertido ficar se examinando) e receita remédio para si a para os outros, neste ultimo caso com comentários vívidos sobre a sua eficácia e efeitos colaterais, afinal todo bom hipocondríaco já provou algumas dúzias de medicamentos, tem a lista dos 10 melhores antibióticos.

É aquele tipo de pessoa que quando recebe do médico a feliz noticia de que não está doente se revolta, chama o médico de incompetente e louco, procura uma segunda, terceira ou décima sexta opinião, mas jamais se convence que está saudável, meu Tio Dr. João Henrique já deve ter visto muito isso. Haveria menos desperdício de energia se o primeiro médico pudesse receitar logo um placebo qualquer e deixar o “paciente feliz” com sua doença imaginária e pílulas de farinha.

Há ainda aqueles que transferem a obsessão para os filhos, a criança perde parte da infância porque a mãe “neurótica” diz que a pobrezinha não pode tomar vento, nem sol, nem sereno, ou gelado, não pode se sujar por causa dos germes, nem comer nada que não esteja lavado e esterilizado por causa dos vermes (e assim se cresce sem comer sequer uma jabuticaba direto do pé) nem pode se machucar, porque se chorar demais pode “engolir o folego”, seja lá o que isso for, ou seja não pode brincar, não pode viver a infância como se deve com os joelhos esfolados, a roupa suja de terra e só perdendo o folego de tanto correr dos coleguinhas, e daí se tiver um bicho de pé, ou lombriga, ou um resfriado as vezes, tem remédio para isso, mas não tem para tempo perdido.

Se forçamos a imaginação podemos ver em que tipo de adulto essa criança se tornará, depois de terem lhe infligido uma farta lista de fraquezas e deficiências, fazendo-a crer numa fragilidade extrema e inexistente, será um adulto fresco, com medo e nojo de tudo, mais uma farmácia ambulante, degustador de comprimidos e leitor assíduo de bulas, cheio de dores fantasmas pelo corpo que pulam de um membro a outro, alergias imaginárias e resfriados eternos, aquele tipo de pessoa que tem uma dorzinha na lombar a acha que está com falência renal.

Francamente, sempre que vejo alguém assim sinto muita pena, talvez porque seja triste pensar que tem gente que toma posse de doença quando tem tanta coisa melhor para se apoderar, ou porque seja chato demais quando o único assunto de alguém são doenças, sintomas, exames e remédios, quando tem tanta coisa melhor para se falar. Ou simplesmente, porque creio que todo hipocondríaco é pessimista, vê um lado ruim de tudo, alias só o lado ruim: do tempero da comida (problema nos rins ou no sangue ou…), da terra do jardim (vermes/germes), das pessoas do mundo, da brisa do mar, até do sol, falarão “causa câncer de pele”. Direi e daí? Ele dá luz e vida a tudo que há de lindo no mundo e, desde que inventaram o filtro solar, não causa nem queimadura de segundo grau, não vou deixar de fazer o que me dá prazer, afinal a doença futura é uma possibilidade, mas a vida e o presente são uma certeza.

Fica a Dica: ler alimenta a mente e o espírito…

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Aproveitando o ultimo post fica a dica do livro “Primaveras” do Casimiro de Abreu, poeta da segunda geração do romantismo brasileiro, sua poesia é uma leitura fácil e leve, a linguagem é simples e todas as poesias são cheias de ternura e amor.

E essa versão de bolso é excelente, pequena e baratinha, dá para colocar na bolsa e levar para todo canto. Assim pode-se aproveitar o tempo dentro do ônibus ou na sala de espera do médico.

Espero que gostem.

beijooooooooooooooooooooooo

Poesia por uma vida mais leve, mais colorida e mais bela. Poesia porque faz bem para a alma.

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Para vocês, queridos! Casimiro de Abreu e a beleza de seus versos. Este poema está no livro Primaveras que é uma delícia de leitura. É aquele tipo de livro para se ter no quarto sempre a mão e, de repente abrir em qualquer página e ler, as poesias dele são maravilhosas e como esta muito termas. Deliciem-se, como sempre digo deixem as palavras escorrerem na boca como mel.

E para combinar com o clima bucólico da poesia mais um pouco das flores da mamãe.

Beijooooooooooooooooooo

O QUE É – SIMPATIA

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’Agôsto,
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é – quase amor!

Um pouco de poesia para adoçar a alma…

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Boa noite gente linda!

Essa semana foi complicada e o fim de semana mais complicado ainda, não tive tempo para nada. Normalmente eu reviso minhas crônicas algumas vezes antes de postar, comparo com a versão que saiu no jornal, enfim tento melhorar sempre. Desculpem a demora, logo volto com outro texto meu.

Então resolvi postar um poema do John Donne que eu adoro. Aproveitem, leiam e deixem as palavras derreterem na sua boca como geleia num pãozinho quente.

Ah! A foto que está ilustrando o post é de uma das flores da minha mãe, adoro aquele jardim, sempre posto fotos dele no instagran (@karynnaespinoso), se quiserem dar uma passadinha lá serão bem vindos.

Beijooooooooooooooooo

EM DESPEDIDA: PROIBINDO O PRANTO

Como esses santos homens que se apagam
Sussurrando aos espíritos: “Que vão…”,
Enquanto alguns dos amigos amargos
Dizem: “Ainda respira.” E outros: “Não.”

Nos dissolvamos sem fazer ruído.
Sem tempestades de ais, sem rios de pranto,
Fora profanação nossa ao ouvido
Dos leigos descerrar todo este encanto.

O terremoto traz terror e morte
E o que ele faz expõe a toda a gente,
Mas a trepidação do firmamento,
Embora ainda maior, é inocente.

O amor desses amantes sublunares
(Cuja alma é só sentidos) não resiste
A ausência, que transforma em singulares
Os elementos em que ele consiste.

Mas a nós (por uma afeição tão alta,
Que nem sabemos do que seja feita,
Interassegurado o pensamento)
Mãos, olhos, lábios não nos fazem falta.

As duas almas, que são uma só,
Embora eu deva ir, não sofrerão
Um rompimento, mas uma expansão,
Como ouro reduzido a aéreo pó.

Se são duas, o são similarmente
Às duas duras pernas do compasso:
Tua alma é a perna fixa, em aparente
Inércia, mas se move a cada passo

Da outra, e se no centro quieta jaz,
Quando se distancia aquela, essa
Se inclina atentamente e vai-lhe atrás,
E se endireita quando ela regressa.

Assim serás para mim que pareço
Como a outra perna obliquamente andar.
Tua firmeza faz-me, circular,
Encontrar meu final em meu começo.